Nos primeiros 50 dias de gestão, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), esteve na região próxima aos residenciais Ilza Terezinha Picoli Pagot e Jonas Pinheiro e se apresentou como aliado das famílias. Diante dos moradores, prometeu lutar para mantê-los no local e defendeu a regularização da área. O povo acreditou.
Em uma gravação feita em 2025, Abilio chegou a dizer que, se a Prefeitura tivesse interesse, bastaria encaminhar um projeto à Câmara Municipal para buscar a regularização. O discurso criou esperança entre famílias que aguardavam uma solução definitiva para não perderem suas moradias.
Nesta quinta-feira (27), porém, a promessa foi confrontada pela realidade. Máquinas mobilizadas pela Prefeitura derrubaram construções na região, deixando moradores cercados por escombros e sem respostas sobre o compromisso assumido pelo próprio prefeito.
Entre os atingidos está Wesley, morador da comunidade que atuou como cabo eleitoral de Samantha Iris (PL), esposa de Abilio e candidata a deputada estadual. Segundo relato encaminhado à reportagem, ele teve a casa destruída e agora não tem onde morar. Quem antes pediu votos para o grupo político hoje pede ajuda para conseguir um teto.
O caso expõe a distância entre o discurso feito diante da população e a atuação da gestão municipal. Se Abilio afirmava que lutaria pela permanência das famílias, a Prefeitura precisa esclarecer quais providências tomou desde aquela visita e por que uma solução habitacional não foi apresentada antes da chegada dos tratores.
Em “nota oficial” (https://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias/prefeitura-remove-edificacoes-desocupadas-em-area-de-nascentes-apos-recomendacoes-do-ministerio-publico), a Prefeitura afirmou que aproximadamente oito edificações desocupadas foram demolidas e que nenhuma família foi retirada de imóvel habitado. Segundo o Município, a operação atendeu a recomendações do Ministério Público e atingiu uma Área de Preservação Permanente considerada de alto risco hidrológico.
A versão oficial, entretanto, entra em choque com os relatos dos moradores. Wesley afirma ter perdido a própria casa, enquanto outras famílias alegam que não foram notificadas adequadamente antes da ação. Agora, além de explicar a contradição, a gestão Abilio precisa responder o que será feito por aqueles que acreditaram na promessa de permanecer no local e terminaram diante dos escombros.























