A carne suína brasileira acaba de conquistar um novo destino: o Azerbaijão, país localizado na região do Cáucaso, entre a Europa e a Ásia. A abertura de mercado foi anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e marca mais um avanço na política de ampliação de exportações do agronegócio nacional.
Segundo o ministério, o acordo permitirá o envio de cortes congelados e processados de carne suína, abrindo oportunidades especialmente para estados com forte produção, como Mato Grosso, Santa Catarina e Paraná. O Brasil é hoje o segundo maior exportador mundial do produto, atrás apenas da União Europeia.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o setor deve crescer 5% em volume exportado até o fim de 2025, impulsionado pela demanda internacional e pela redução da oferta global de carne bovina.
Em Mato Grosso, o impacto pode ser direto. O estado, que já responde por cerca de 22% da produção nacional de suínos, possui infraestrutura consolidada de abate e processamento, além de uma localização estratégica para o escoamento da produção até portos do Centro-Sul e Norte do país.
“Esse novo mercado representa uma oportunidade concreta de expansão para os produtores mato-grossenses”, avaliou o economista agroindustrial Roberto Sanches, ouvido pelo Diário Digital MT. “Se o estado conseguir reduzir os gargalos logísticos e o custo do milho, pode ampliar a rentabilidade e gerar novos empregos em toda a cadeia produtiva.”
A ABPA estima que a abertura comercial com o Azerbaijão pode injetar até R$ 800 milhões na economia de estados exportadores nos próximos 12 meses. Só Mato Grosso deve responder por cerca de 15% desse total, o equivalente a R$ 120 milhões, considerando o potencial de exportação de pequenos e médios frigoríficos.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que o reconhecimento sanitário do Brasil pelo governo do Azerbaijão é fruto de uma política contínua de qualidade e segurança alimentar.
“É um sinal de confiança no nosso sistema de inspeção e na sustentabilidade da produção nacional”, afirmou.
Com a nova parceria, o Brasil chega a 159 mercados abertos para exportação de produtos cárneos. A expectativa é que novas negociações sejam firmadas ainda neste trimestre com países da Ásia Central e do Oriente Médio.
Para Mato Grosso, o desafio será garantir competitividade no frete e manter o padrão sanitário exigido pelos importadores. O setor vê com otimismo o avanço, que pode consolidar o estado como um dos maiores polos exportadores de proteína suína do país






















