CUIABÁ
Pesquisar

Max Russi condiciona corte das emendas para eventos, “Desde que o governo apresente programa forte para o financiamento da cultura e turismo de MT”

publicidade

A declaração do governador Otaviano Piveta sobre restringir o uso de recursos públicos para shows e eventos abriu uma das discussões mais sensíveis do momento em Mato Grosso, atingindo diretamente o setor cultural, o turismo e uma ampla cadeia econômica que depende dessas atividades. Mas foi a resposta do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, que trouxe profundidade ao debate ao expor, de forma direta, o impacto real dessas decisões no funcionamento da economia estadual.

Ao comentar o tema, Russi não tratou a questão como um simples corte de gastos, mas como um problema estrutural de política pública. Ele partiu de exemplos concretos para mostrar que o debate exige mais complexidade do que a separação entre cultura e entretenimento proposta pelo governo.

O parlamentar citou o aniversário de Cuiabá como um retrato claro dessa realidade. Segundo ele, eventos com atrações nacionais tiveram público expressivo e grande movimentação econômica, enquanto apresentações locais registraram presença muito menor. Para Russi, esse contraste revela um desafio prático: como valorizar artistas regionais sem ignorar o papel estratégico dos grandes shows na atração de público e geração de receita.

Na mesma linha, ele destacou o caso de Chapada dos Guimarães, onde eventos com artistas nacionais se consolidaram como um dos principais motores do turismo. Na avaliação do presidente da Assembleia, não se trata apenas de entretenimento, mas de uma engrenagem que sustenta a economia local. Hotéis lotam, bares e restaurantes ampliam faturamento, trabalhadores temporários são contratados e o comércio gira em ritmo acelerado.

Leia Também:  Dr. João destaca possibilidade de revisão em demissões do Samu e abertura de diálogo com Pivetta

Russi aprofundou ainda mais o raciocínio ao apontar que essa cadeia produtiva vai muito além dos palcos. Segundo ele, envolve técnicos de som, iluminação, montadores de estrutura, seguranças, ambulantes, transporte, além de toda a rede de serviços. Em municípios sem base industrial forte, esses eventos representam uma das principais fontes de circulação de renda ao longo do ano.

Foi nesse contexto que o presidente da Assembleia trouxe o ponto central de sua posição. Ele afirmou que o problema não está em discutir o uso das emendas, mas na ausência de um programa estruturado por parte do Estado. Hoje, segundo ele, as emendas acabam cumprindo esse papel por falta de uma política pública consolidada.

Russi também reagiu diretamente à tentativa de separar cultura de shows. Para ele, essa distinção não pode ser feita de forma simplista, já que muitos eventos considerados “shows” são, na prática, instrumentos de valorização cultural e desenvolvimento econômico. Ele defendeu que o debate precisa levar em conta o impacto real de cada evento, e não apenas sua classificação.

Ao longo da fala, o parlamentar também ampliou a discussão para o campo social, ao destacar que cultura não é apenas lazer, mas parte essencial da vida das pessoas. Ele citou inclusive aspectos ligados à qualidade de vida e ao bem-estar, afirmando que a sociedade não vive apenas de trabalho e obrigações, e que o acesso à cultura é parte do equilíbrio social.

Leia Também:  Articulação garante avanço da regularização fundiária no São Matheus, em Cuiabá

Foi então que Russi cravou a frase que sintetiza sua posição no debate e estabelece o eixo da discussão política no estado. Segundo ele, mudanças podem acontecer — mas não de forma isolada.

“Pode diminuir o valor da emenda ou até acabar com ela, ‘desde que o governo do estado tenha um programa forte, claro e objetivo, de fortalecimento da cultura, das realizações dos grandes eventos e do turismo’”.

Na sequência da fala, ele reforçou que o caminho não é simplesmente retirar recursos, mas substituir o modelo atual por uma política pública eficiente, capaz de garantir continuidade aos eventos, valorização dos artistas locais e fortalecimento do turismo como atividade econômica estratégica.

Russi ainda deixou claro que a Assembleia Legislativa não se furtará ao debate e que está aberta a discutir ajustes, melhorias e até mudanças no modelo, mas sem permitir que setores inteiros da economia sejam fragilizados por decisões sem planejamento.

Ao final, a mensagem do presidente do Legislativo foi de equilíbrio, mas também de alerta: não se trata apenas de cortar gastos, e sim de entender que cultura, eventos e turismo formam uma das bases da economia de Mato Grosso — e que qualquer mudança precisa ser feita com responsabilidade, estrutura e visão de longo prazo

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Slide anterior
Próximo slide

publicidade

Slide anterior
Próximo slide