O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) subiu o tom contra a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti. O órgão emitiu um alerta formal advertindo que a inércia da gestora diante de um robusto esquema de corrupção pode configurar improbidade administrativa por omissão e dolo inequívoco.
No centro do escândalo está o secretário municipal de Educação, Sílvio Aparecido Fidelis, investigado por fraudes, superfaturamento e conluio em contratos de transporte escolar. O prejuízo preliminar estimado aos cofres públicos é de R$ 6.224.128,40.
A promotora Taiana Castrillon Dionello estipulou um prazo de 10 dias para que Moretti explique as razões para manter e blindar o secretário no cargo, mesmo após ser cientificada das graves irregularidades apontadas pela própria Controladoria-Geral do Município (CGM).
A gravidade dos fatos expõe uma aparente conivência da alta cúpula do Palácio Municipal com o desvio de recursos carimbados da Educação. O relatório técnico da CGM, que embasa o Inquérito Civil, revela um cenário alarmante:
- Fraude no controle: Medições de quilometragem “fantasmas”, sem qualquer verificação por GPS;
- Cartel: Direcionamento ilícito de licitação para favorecer um grupo de empresas familiares;
- Risco aos estudantes: Alunos da rede pública sendo transportados em veículos sucateados, com cintos de segurança inoperantes, extintores vencidos e total falta de acessibilidade.
Enquanto a segurança das crianças era negligenciada, o dinheiro público escorria sob ordens de despesas assinadas pelo próprio Sílvio Fidelis.
Para agravar a crise política que assombra a atual administração, o MPMT relembrou o histórico controverso do homem de confiança da prefeita. Sílvio Fidelis já carrega uma condenação em Ação Civil Pública por rombos financeiros e despesas ilegais na extinta Fundação de Promoção Social (PROSOL).
Mesmo com esse histórico e com alertas formais emitidos desde outubro de 2025, a prefeita ignorou os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência ao nomeá-lo e mantê-lo na liderança da pasta em 2026.
A Notificação Recomendatória funciona como um ultimato que encurrala a gestão de Flávia Moretti. O Ministério Público deixou claro que não tolerará complacência com o erário.
Caso a prefeita insista no silêncio ou na proteção a Fidelis, o órgão ministerial alertou que a conduta será tratada como dolo específico. Isso dará margem para o ajuizamento de novas ações judiciais, podendo resultar em pedidos de afastamento, cassação ou responsabilização pessoal da chefe do Executivo. A omissão que antes operava nos bastidores agora está sob os holofotes, e a corda judicial está esticada para os gestores de Várzea Grande.





















